Fundado em 1985, o estúdio Ghibli é a origem várias magníficas animações japonesas. Com narrativas de alto poder de imersão e a estética dos mangás, as animações do estúdio já conquistaram indicações ao Oscar e inúmeros prêmios ao longo de sua existência.
Os temas abordados nas animações produzidos pelo estúdio normalmente estão em sintonia com a mitologia do Japão, trazendo à tona elementos de diversas etnias que compõem a cultura nipônica. Essa conexão com a ancestralidade também se expressa através das trilhas tocantes, normalmente fazendo uso instrumentos tradicional e ritmos que remontam um Japão feudal.
Um
outro lugar comum dentro dessas animações é o confronto entre a natureza e a modernidade,
algo que pode ser encontrado em A princesa Mononoke (1999) na guerra entre a
colônia mineradora da senhora Ebochi e os espíritos da floresta.
Já
em O Castelo Animado (2004) e O túmulo dos vagalumes (1988), cada um a sua
maneira, encontramos personagens diante do trauma da guerra. No primeiro, a
destruição, o medo e a magia, como metáfora para o ambíguo poder que a
humanidade possui, constroem uma narrativa que toca o real com a fantasia. No
último, a realidade se mostra mais crua, mais próxima, o tom realista da obra faz
emergir um aperto no peito.
Meu
Amigo Totoro (1988), mostra uma outra face do estúdio, tendo como pano de fundo
a relação entre o mundo físico e o espiritual,
a vida familiar, a dor da possibilidade de perder um ente amado e proximidade
da mente da criança com o magia.
É
comum nas animações do estúdio a presença de personagens femininas fortes, como
a protagonista de A viagem de Chirilo (2001), Sophie e as bruxas, em O Castelo Animado,
e San, a princesa da floresta, em A princesa Mononoke.
Esse
conjunto de elementos tornar as produções do estúdio Ghibli uma ótima pedida
para uma maratonar no fim de semana. O tom emocional das animações e o subtexto
presente em cada uma delas garantem uma experiência que vai muito além de
simples entretenimento.
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