Nessas conversas fui
apresentado a Bauman, um dos mais importantes pensadores pós-modernos. Experimentado
nas agruras do antissemitismo da 2ª guerra, de orientação marxista e dono de
uma perspicácia genial acerca da vivência do mundo à sua volta, Zygmunt Bauman
traz a tona uma maneira inovadora de se pensar as relações sociais nos nossos
dias.
A principal característica da
análise de Bauman reside na maneira como ele entende a liquefação das relações
sociais. Para Bauman, o vínculo entre os indivíduos, as percepções estéticas
desses indivíduos, seus gostos, suas ambições são extremamente frágeis em
relação a momentos anteriores da vivência humana. É isso que ele chama de
modernidade líquida.
Em Amor Líquido, o autor chama
atenção para a mudança de paradigma no estabelecimento de relações afetivas no
mundo contemporâneo, para ele, a humanidade fez uma transposição da ideia de
cultivo do afeto pelo compartilhamento da condição humana para uma busca por uma
acumulação de experiências afetivas fugazes quase sempre motivadas pela busca
por prazer ou compensação econômica. A mudança no paradigma que servia de
fundamento para as construções amorosas modificou a maneira como os
relacionamentos acontecem dentro do mundo pós-moderno, o amor ao próximo de
liquefez no amor romântico.
Outra obra fascinante de
Bauman é Medo Líquido. Aqui o autor explora a sensação de insegurança e
vulnerabilidade crescentes na comunidade global. Para Bauman, não só há uma
percepção generalizada de que algo ruim sempre está prestes a acontecer, quanto
há também a percepção de que estaremos despreparados para responder ao sinistro.
Essa condição mental afeta a maneira como nos relacionamos com o meio e com as
outras pessoas no sentido de nos predispor a ver o próximo como uma ameaça
eminente, nos tornando mais fechados, mais desconfiados e mais beligerantes.
O sociólogo também é conhecido
por suas críticas ao capitalismo e ao consumismo. Bauman entende que o
capitalismo objetifica o indivíduo reduzindo o seu significado enquanto o ser
humano à sua capacidade de consumo. O autor aponta que, na ânsia pelo consumo, deixa
de ser importante a utilidade do produto, seu processo de fabricação e até
mesmo seu preço, desde que seja satisfeito o fetiche por possuir a marca que
melhor expressa o valor do indivíduo como consumidor.
Zygmunt Bauman nos deixou em
2017, deixando 3 filhas e um o volume de produção acadêmica magnífico.

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