domingo, 28 de agosto de 2022

Conheça Bauman


A primeira vez que ouvi de falar de Zygmunt Bauman ainda estava no ensino médio. Eu costumava passar alguns fins de semana na casa de um amigo que fazia filosofia na UFAM e lá quase sempre nossas partidas de xadrez eram regadas à discussões sobre o nosso mundo, sobre o cristianismo e sobre nós mesmos.

Nessas conversas fui apresentado a Bauman, um dos mais importantes pensadores pós-modernos. Experimentado nas agruras do antissemitismo da 2ª guerra, de orientação marxista e dono de uma perspicácia genial acerca da vivência do mundo à sua volta, Zygmunt Bauman traz a tona uma maneira inovadora de se pensar as relações sociais nos nossos dias.

A principal característica da análise de Bauman reside na maneira como ele entende a liquefação das relações sociais. Para Bauman, o vínculo entre os indivíduos, as percepções estéticas desses indivíduos, seus gostos, suas ambições são extremamente frágeis em relação a momentos anteriores da vivência humana. É isso que ele chama de modernidade líquida.

Em Amor Líquido, o autor chama atenção para a mudança de paradigma no estabelecimento de relações afetivas no mundo contemporâneo, para ele, a humanidade fez uma transposição da ideia de cultivo do afeto pelo compartilhamento da condição humana para uma busca por uma acumulação de experiências afetivas fugazes quase sempre motivadas pela busca por prazer ou compensação econômica. A mudança no paradigma que servia de fundamento para as construções amorosas modificou a maneira como os relacionamentos acontecem dentro do mundo pós-moderno, o amor ao próximo de liquefez no amor romântico.

Outra obra fascinante de Bauman é Medo Líquido. Aqui o autor explora a sensação de insegurança e vulnerabilidade crescentes na comunidade global. Para Bauman, não só há uma percepção generalizada de que algo ruim sempre está prestes a acontecer, quanto há também a percepção de que estaremos despreparados para responder ao sinistro. Essa condição mental afeta a maneira como nos relacionamos com o meio e com as outras pessoas no sentido de nos predispor a ver o próximo como uma ameaça eminente, nos tornando mais fechados, mais desconfiados e mais beligerantes.

O sociólogo também é conhecido por suas críticas ao capitalismo e ao consumismo. Bauman entende que o capitalismo objetifica o indivíduo reduzindo o seu significado enquanto o ser humano à sua capacidade de consumo. O autor aponta que, na ânsia pelo consumo, deixa de ser importante a utilidade do produto, seu processo de fabricação e até mesmo seu preço, desde que seja satisfeito o fetiche por possuir a marca que melhor expressa o valor do indivíduo como consumidor.

Zygmunt Bauman nos deixou em 2017, deixando 3 filhas e um o volume de produção acadêmica magnífico.

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